Testemunho Ap. Jonas
“Fui escravo de espíritos malignos que se passavam como anjos de luz, mas eles queriam a minha morte”.
Com um intenso desejo de progredir na vida profissional, em fevereiro de 1971, Jonas Madureira saiu de Ilhéus, na Bahia e mudou-se para Salvador. Ansioso por alcançar grandes oportunidades, não imaginava o que lhe aconteceria num futuro muito próximo. Com uma vida planejada pela determinação de atingir o sucesso, almejava com todas as forças progredir. Um homem carismático e extrovertido, trabalhou nos mais importantes veículos de comunicação. Emissoras como a Rádio Cruzeiro, Sociedade e Cultura foram essenciais para trilhar um caminho e alcançar o cargo de apresentador oficial da TV Aratu; que transmitia a programação da rede Globo e posteriormente como apresentador do grande Jornal da Tupi na TV Itapoan. Ambicioso por natureza tinha plena convicção que conseguiria formar família e conciliar carreira e casamento. Ainda muito jovem conheceu uma linda moça e se apaixonou, em pouco tempo a levou para o altar. Não fossem os caminhos tortuosos, teriam tudo para viver a felicidade das realizações, entretanto, por influências ocultas o casal Madureira realizou o enlace de sua união no candomblé. A vida de ambos foi consagrada aos espíritos com a ‘bênção’ final da igreja católica. Seguro de que tudo colaborava para seu bem, tudo o que Jonas mais desejava era chegar ao ápice do sucesso. Não media esforços para consegui-lo, nada o deixava temeroso. Participava de qualquer tipo de ritual, tudo o que lhe diziam ser bom fazia sem questionar. 0ferendas como sacrifícios de animais até os mais exóticos rituais religiosos; incorporação com espíritos, rastejar, deitar, dançar, cantar para as entidades e beber na companhia deles era comum ao jovem comunicador. Fez tudo que estava ao seu alcance para chegar no topo da glória do mundo.
Jonas conquistou espaço nos programas por ele apresentado com grande sucesso, ao lado de jornalistas como: Armando Mariane, Baby Santiago e Geraldo José. Sua vida profissional fluía com muito prestígio. Em pouco tempo passou a apresentar um programa que ficou famoso, com muita audiência, chamado "Alô, Alô, Bahia!". Entre suas atrações havia a participação de um pai de santo que atendia diariamente os ouvintes. O programa fez tanto sucesso, a ponto do pai de santo construir um terreiro com o dinheiro arrecadado em suas consultas. No entanto, o apresentador não obteve nenhuma participação financeira adquirida pelo colega espiritual. Sua única recompensa foi um presente. Uma garrafa de uísque consagrada às entidades que não trouxe nenhum benefício ao profissional. “Hoje, no local onde foi aquele terreiro próximo ao Aeroporto de Salvador está edificada uma igreja evangélica”.
Reportagem da Revista Amiga, informando sobre o seu sucesso em Salvador.

Dedicado e obediente, nessa mesma ocasião Jonas recebia as mais diversas manifestações espirituais; mesmo consciente de tudo o que lhe acontecia não tinha o menor domínio sobre si. As pessoas que o cercavam não percebiam o que se passava na vida do jovem e ambicioso rapaz. Conflitos constantes faziam parte de seu cotidiano. “Era introspectivo, terrível, o peso da insatisfação, o vazio da existência era sem fim”. Jonas não aparentava nenhum sintoma externo, mas em seu íntimo vivia uma guerra espiritual, embora fosse uma pessoa aparentemente normal. Completamente saudável, todavia, dominado por forças estranhas. Os sintomas surgiam da alma, do coração, circunstâncias muito fortes não o libertavam para uma vida completa. Coisas ocultas não o permitia afasta-lo da vida mística e espiritual que levava. Vozes interiores soavam constantemente aos seus ouvidos e se repetiam de maneira enfática: “Você não pode deixar esta vida. Quem entra nela não pode mais sair!”. Jonas queria deixar tudo, mas não tinha forças para tomar decisões, estava dominado em toda sua essência, não conseguia resistir. Trabalhava e se esforçava, contudo, não era livre porque há muito se tornara escravo dos espíritos. Já não tomava atitude alguma sem consultá-los, perdeu totalmente o controle de sua vida.
Embora fosse bem sucedido o apresentador não escapou da depressão. “O vazio tomou lugar em sua vida, nada mais o satisfazia, nada tinha sentido. Talvez mudar de ambiente fosse a solução”. Sem pensar muito, Jonas pediu uma carta de apresentação ao superintendente dos veículos os quais trabalhava. Deixou a família em Salvador até se estabelecer e foi para o Rio de Janeiro. Sozinho, na cidade maravilhosa, descobriu os caminhos e as atividades que a cidade lhe oferecia, sem muita demora percebeu que o Rio oferecia e satisfaria suas expectativas profissionais; que grandes chances estavam a sua espera. Mais estimulado convenceu-se de que desta vez sua vida chegaria no auge. Tinha certeza de que seria mais sucedido do que em sua terra natal. Retornou a Salvador somente para buscar a família e iniciar uma nova, boa e tranqüila vida.
Os conflitos eram constantes, contudo, decidiu dar novo rumo a sua vida. Buscar sua família passou ser prioridade naquele momento, de malas prontas já na rodoviária do Rio seguiu para Salvador sem esperar e dentro do ônibus, seu guia espiritual a quem Jonas confiava totalmente e era dependente, manifestou-se contrariado e naquela viagem atentou contra a sua vida. Mas, quando chegou em Minas Gerais, a entidade ordenou que seu cavalo, assim os espíritos o tratavam, descesse do ônibus e caminhasse pela estrada. Um tanto incomum e estranho, porém, foi exatamente o que aconteceu, obedeceu a ordem. Jonas não se importava quanto custaria seus esforços. Era completamente submisso, pediu ao motorista encostar o ônibus e desceu. Jonas caminhou por toda estrada deserta, chegou a pedir algumas caronas seguindo para Governador Valadares. Seguiu sem rumo e sem direção, um lugar deserto. De repente surgiu uma Kombi do nada. O guia lhe falava: ”Se joga agora embaixo dela”. Sem pensar Jonas se jogou sob o carro, além do susto e alguns arranhões, nada de grave aconteceu. Desnorteado e sem saber o que fazer o motorista da Kombi parou rapidamente para socorrê-lo, porém, Jonas um tanto atordoado o despediu como se nada tivesse acontecido. Jonas continuou sua trajetória e parou num bar bem distante da cidade. Ele não tinha controle algum sobre si, somente as entidades o direcionavam, sua mente estava tomada, completamente fora de si. Tomava bebidas alcoólicas sem saber o que estava acontecendo com ele mesmo, chegou a propor ao dono do bar que vendesse o estabelecimento para ele insistentemente. Sem saber o que fazer o dono do bar resolveu chamar a polícia. Não houve dúvidas que o bem sucedido jornalista que tanto almejava sucesso foi detido. Passou a noite preso na delegacia sem saber o motivo da detenção, nem imaginava do que estava sendo acusado. Somente no dia seguinte foi liberado. Jonas Madureira continuava tomado pelo guia e totalmente transtornado; saiu da delegacia e agindo como um louco, corria pelas ruas de Governador Valadares. Mas, foi na estação rodoviária da Itapemirim que sem o menor constrangimento novamente incorporado o espírito lhe ordenou: “Agora você vai fazer a viagem mais linda da sua vida. Vá até o meio daquela ponte, conte três passos e pule. Quando você cair, você fará a viagem inesquecível!” Novamente Jonas obedeceu ao comando e seguiu até a ponte, afinal, aceitava as ordens como um desafio, no entanto, quando contou os três passos e pôs as mãos sobre o corrimão olhou para baixo sentiu medo e gritou: ”Não! Isso é a morte”. Desistiu de pular e atravessou toda aquela pista de costas, gritando: “DEUS me socorre! Pular daquela ponte seria suicídio”. Era exatamente isso que seu guia espiritual tanto desejava, a morte de Jonas. Foi a primeira vez em muitos anos que o jovem profissional desobedeceu às ordens da entidade que tanto apreciava e honrava, foi a nesse momento que Jonas questionou sua crença, sua fé, se esse era de fato o caminho certo para continuar seguindo. Imediatamente uma patrulha rodoviária o socorreu. Com a ajuda dos policiais, Jonas voltou para Salvador com o propósito de voltar com sua família. Em casa, conversou com sua esposa Neuza que também não conseguia entender o que se passava com o marido; por mais que quisesse e tentasse não sabia como ajuda-lo. De comum acordo, o casal resolveu mais uma vez recomeçar a vida no Rio de Janeiro. Bem acomodados em sua nova casa e trabalhando na Rádio Tupi, tudo parecia resolvido e finalmente seu objetivo tinha sido alcançado. O sucesso chegou na vida do jovem e determinado comunicador. “Eu queria ser famoso, mas, não era suficiente, embora estivesse bem sucedido, trabalhando na segunda maior e mais ouvida emissora de rádio do Rio. Eu queria muito mais, cantar, gravar discos, ser um artista completo”.
Bem sucedido, porém, ainda não realizado, por mais que conseguisse alcançar um degrau Jonas nunca se dava por satisfeito. Viajava nas férias com sua família e tentava assim minimizar os seus problemas existenciais. Dona Neuza sofria juntamente com seus filhos os problemas introspectivos do marido. Uma linda família tinha tudo para ser feliz!
Foto Jonas e família em Férias na cidade de Ilhéus


O apresentador se influenciava cada vez mais com o ocultismo, entretanto, não percebia que estava se deixando envolver por mais uma armadilha diabólica, cujo objetivo era destruí-lo. Certa manhã, lendo o jornal, Jonas Madureira encontrou um anúncio sobre um evento que aconteceria, em Nilópolis, era o Festival de Música Espírita, na Tenda do Divino, promovido pelo Jornal O Dia. Festival esse, cujo objetivo era escolher o hino nupcial dos espíritas e outras músicas consagradas aos espíritos. Sem perder tempo, fez sua inscrição, e a música ‘Olhai’, foi a vencedora do evento e passou a ser o hino nupcial dos espíritas. Além dessa canção, Jonas compôs outras músicas dedicadas aos guias.
Foto Jonas no Festival Espírita Recortes de reportagens do Jornal o Dia.


O sucesso bateu a sua porta, o radialista, jornalista, apresentador e agora cantor Jonas Madureira recebeu a faixa de cantor ídolo dos espíritas, sucesso que o levou ao programa Aqui e Agora transmitido diariamente pela TV TUPI.
Foto no programa Aqui Agora – TV TUPI

Certo dia, dona Neuza que teve sua crença nas imagens de esculturas e no espiritismo foi confrontada com a mensagem de um homem usado por Deus, ouvindo um programa de rádio cuja emissora não era a que seu marido trabalhava e foi surpreendida. Mensagem baseada no capítulo 20, do livro de Êxodo, Antigo Testamento, ela creu que Jesus é o Filho de Deus e que veio ao mundo para nos livrar da condenação eterna e nos reconciliar com o Pai. Desse momento em diante passou a ouvir e assistir uma programação evangélica. A esposa do já famoso jornalista, radialista e cantor já não se interessava pelos programas que o marido produzia e apresentava. Neuza Madureira e seus filhos, adquiriram o hábito de ouvir mensagens e palavras do evangelho que passara a confortá-los. O que sua esposa tanto tinha procurado em todos esses anos no espiritismo e não encontrou; foi com uma palavra de fé, uma palavra simples e uma oração de um pregador de rádio que o vazio de seu coração fora preenchido. Neuza não encontrou nada parecido na emissora que seu marido era funcionário. Jesus falou ao seu coração, usando um homem desconhecido como instrumento, na rádio concorrente. O pastor que apresentava o programa evangélico dizia: “É provável que você tenha em sua casa problemas como vícios, alcoolismo, problemas conjugais e até um marido que é um beberrão, que dá muito trabalho. Nesta manhã o Senhor quer transformar a sua vida e de sua família. Isto é uma maldição e precisa ser quebrada!” Em seguida fez um apelo e uma oração de entrega. Os filhos do casal Madureira, Jonas, Melisa e Mariú, na época com 4, 2 e 1, anos respectivamente também aceitaram Jesus, ouvindo e obedecendo a orientação da mãe. Conhecendo a vontade divina para ela, os filhos e o marido, a esposa de Jonas começou uma busca constante onde sua meta era uma explicação plausível para o problema que seu marido vivia. Dominado pelo alcoolismo, pela feitiçaria e forças ocultas. Neuza lhe pediu para comprar uma Bíblia, sem argumentar a vontade da esposa atendeu o desejo da amada. Surgi então a vontade de ler as Sagradas Escrituras, Jonas a leu durante três anos, Velho e Novo Testamento de Gênesis a Apocalipse. O tempo passou, Jonas deixou de praticar feitiçaria e oferecer sacrifícios junto às entidades que tanto o fez sofrer. Não voltou mais aos terreiros, abandonando os guias completamente. Porém, eles não o abandonaram, mas usavam outras estratégias. O fato dele não ter tomado a decisão de aceitar Jesus como seu único e verdadeiro salvador, logo após ter largado a vida espírita e suas obrigações; esse ato fez com que o maligno armasse outras ciladas. Por intermédio de um vizinho, foi cantar na escola de samba de Parada de Lucas e não demorou muito para conhecer outras escolas, passando pela Portela e Império Serrano onde finalmente, tornou-se puxador oficial da Escola de Samba Unidos de Padre Miguel. Uma ocasião, cantando na quadra da Portela o samba ‘Portela na Avenida’, tudo corria muito bem, a quadra estava cheia, era a final da escolha do samba enredo. A harmonia dizia:”...Tudo estava bem...”. O mestre Marçal apontava o dedo para cima animando a ala dos compositores com o sinal de que tudo estava perfeito. Entretanto, o cantor puxando aquele enredo, continuava sua busca e se perguntava: “Meu Deus, será que é isso mesmo que quero para minha vida?” Jonas já não tinha tanta certeza se a Portela era mesmo a razão de sua vida. Contrariava naquele momento o que sempre falava a Neuza que a Portela era sua vida. Esse era o real motivo para sua mulher não mais o convidar para conhecer Jesus. Dona Neuza sempre o rebatia e falava-lhe: “Deus tenha misericórdia de você”. Aborrecida e infeliz com a vida que estava levando, ela simplesmente não agüentava mais continuar com um casamento frustrado. Tomou a decisão de viajar e comunicou ao seu marido que passaria as férias em Salvador, junto com a sua família e levaria as crianças com ela. Apenas mais uma desculpa, pois já tinha resolvido voltar de vez para a casa de seus pais. Seu coração já não era mais o mesmo após ter declarado Jesus como seu Senhor. Antes de partir, fez uma oração de entrega da vida de seu marido para Deus dizendo assim: “Este homem, do jeito que está não o quero. Meu marido se tornou um bêbado, eu não o suporto mais. Se o Senhor transformá-lo, voltarei para ele, caso contrário, não o quero mais. Vou-me embora com meus filhos e orarei por ele à distância”.



O início da transformação
Sozinho, sem os filhos e sem a mulher da sua vida, Jonas Madureira já não era mais o mesmo, deprimido e sem estímulo ficou muito pior do que já estava. Totalmente perturbado aqueles dias após a partida de sua família foram caóticos, marcaram sua vida como nunca antes. Os dias se passaram, nada tinha valor. Acordou certa manhã, percebendo que estava falando coisas totalmente sem nexo. Foi trabalhar e os colegas logo perceberam que algo estava errado com o jornalista. Levado pela direção da rádio a uma consulta médica não conseguia entender o que se passava com ele. Como o caso era espiritual, não havia diagnóstico para as perturbações que Jonas Madureira passara a sentir. Casos de possessão maligna, nem sempre é doença, por estar incorporado os médicos não conseguem identificar o problema por se tratar de algo oculto, portanto, não há diagnóstico. Naquele mesmo dia o inevitável aconteceu. Jonas foi internado no Hospital Psiquiátrico de Botafogo, no Rio de Janeiro. O famoso Pinéu. Embora consciente, mas sem domínio de si, Jonas lembra-se da terrível noite que passou naquele lugar. “Me aplicaram o conhecido ’sossega leão’, uma injeção comumente aplicada em pessoas que tem quadro de loucuras, aqueles que são chamados loucos incontroláveis. Apaguei naquele momento e não me lembrei de mais nada do que fizeram comigo. Quando acordei, era o último dos homens. Só ai é que pude perceber que não estava mais no Hospital de Pinéu, mas que tinha sido transferido para o Instituto de Psiquiatria da Universidade do Rio de Janeiro para me submeter às pesquisas”. O psiquiatra conversou com Jonas e pode perceber que ele não era louco, mas uma pessoa que precisaria passar por um tratamento sério e específico. Ele tinha um sintoma que a medicina não possuía um diagnóstico, era um mal desconhecido. “Uma entidade que atua em qualquer pessoa, nunca vai aparecer em exames laboratoriais, nem em RX ou ressonância magnética”. Ele estava acometido de uma crise de possessão demoníaca. Por esse motivo não há como dar um diagnóstico preciso. Contudo, o sintoma da ação do mal estava dentro do próprio enfermo. O médico chegou a perguntar se ele bebia muito e com uma resposta positiva afirmou tomar uma garrafa de velho barreiro, no final de semana. Sem demora o médico o aconselhou a parar de beber para que ficasse bom. Ali mesmo prometeu ao médico que pararia de beber diante dele e de Deus. Foi nessa situação humilhante que decidiu que não voltaria mais colocar uma dose de bebida alcoólica em sua boca. Satisfeito com a resposta o médico o incentivou dizendo-lhe que resolveria o problema. Sozinho no leito daquele hospital Jonas refletia sobre o que fez com ele; com sua vida e com as pessoas a quem amava; seu casamento estava em ruínas. Pensava em Deus.
A decisão
Foi na cama de um hospital que sua vida passava em sua mente, como se fosse um filme, sua esposa com grande esforço tentando faze-lo entender o que se passava. O fato de resistir todas as vezes que ela o convidava para ir à igreja. Jonas lembra-se de Neuza dizendo:”Jonas nossos filhos lindos! Nós não nos casamos por interesse e sim por amor. Vamos salvar o nosso casamento”. Naquele leito de dor, Jonas prometeu a si mesmo que quando ela o convidasse novamente ele a acompanharia. Os remédios estavam acabando com sua vida. De alta, voltou para casa, entretanto, dependente de Ampliquitil, Gardenal e um outro remédio que jamais poderia deixar de usá-lo, segundo ordens médicas. Jonas chegou no ápice do fracasso, o tão conhecido fundo do poço. Não podia mais dirigir, não conseguia sequer passar as mãos no próprio rosto, tocar o corpo e nem tomar banho. Seus movimentos eram lentos, quase inexistente. Aqueles medicamentos fortes disparavam seu coração como se fosse explodir e parar a qualquer momento. O jornalista e cantor desfalecia diariamente, sabia que estava muito doente. Jonas estava morrendo e não sabia o que fazer. Faltava-lhe o ar, temeroso com o que poderia acontecer nas horas seguintes fez uma oração mental pensando: “Deus! Não agüento mais esse sofrimento, só quero viver, não te peço nada mais a não ser a cura”. Jonas Madureira, que tinha feito tantos planos, que tinha como objetivo de vida ser famoso e alcançar o sucesso e de fato o alcançou; estava desesperado pedindo ajuda a Deus. Um Deus que o esperava há tanto tempo pelo seu clamor. Sua esposa vendo o desespero do marido mais uma vez disse: "Então, vamos à igreja? Sexta-feira tem uma reunião de libertação e cura, vamos que você precisa de um alívio e Jesus vai te curar". Era a chance que ele esperava desde que tinha saído do hospital. Ouvindo aquele convite feito pela sua amada, grande alegria tomou conta de seu interior. Ele tinha proposto em seu coração que quando Neuza fizesse o convite, ele aceitaria e iria com ela a igreja. Convite aceito e desesperado por mudar de vida, amparado pelo braço forte da esposa, e sem nenhuma força sequer para andar; Jonas foi à igreja em busca de saúde e paz. O seu estado físico e emocional era tão dramático que no ônibus, ele se encostava, no ombro de Neuza ou na lateral do veículo. Não tinha nenhum equilíbrio para sustentar o próprio corpo no assento. O casal entrou no templo a passos curtos, sua esposa o apoiava para que Jonas conseguisse andar. Embora parecesse um robô, impregnado de medicamentos, coberto pela secreção excessiva que os remédios causavam, babava como se fosse um louco. Logo que chegou ao templo, Jonas pôde perceber que aquele lugar era diferente. As mulheres cantavam alegres e a fé contagiava o ambiente, Jonas nunca tinha visto e ouvido nada parecido, sentiu-se extasiado. O sermão era impressionante, nunca ouvira nada igual em toda sua vida. Mesmo com todo conhecimento que possuía no palco, nas rádios e tvs o qual passava, nunca escutara e algo como aquela pregação que o deixou fascinado. O pastor falava sobre a família, e foi nesse momento que duas forças se manifestaram simultaneamente. A primeira era uma voz agressiva, cheia de ódio e que dizia: “O que você veio fazer aqui? Vai embora”. A outra por sua vez, era uma voz forte, grave, mas agradável de ouvir. Ele disse: ”O que você veio buscar aqui ainda não recebeu, então, espera”. Jonas sabia o que estava acontecendo, conhecia aquela voz feroz e odiosa, contudo, resolveu esperar e obedecer a voz firme e suave. Decidiu em seu coração que valeria a pena esperar. Ao final da palavra, aquele homem que costumava orar pelas pessoas que ali foram em busca de libertação, fez um apelo inesquecível e dizendo: “Você que está aí, o último dos homens e deseja uma oração, venha aqui que eu quero orar por você”. Sem pensar Jonas aceitou o convite, levantou-se do banco, e mesmo cambaleante, dobrou seus joelhos em frente ao altar e fez uma oração: ‘”Deus, eu não desejo nem para o meu inimigo o que está acontecendo comigo; me cura”. Foi nesse momento que Jonas percebeu que algo em sua alma, em seu espírito e corpo estava acontecendo. Ele mesmo descreve como se duas mãos penetrassem em seu peito, como se pega uma massa de fazer pão e apalpasse o seu coração e o apertasse, pressionando-o para que toda impureza encontrada saísse; e quando nada mais restava de ruim essas mãos o soltaram. Sentiu-se como se fosse um terremoto dentro de si, um abalo em sua alma. Passado a sensação transformadora, um choro inexplicável que não era de dor, sofrimento, tristeza, ou melancolia, tomou conta Jonas Madureira. O choro da gratidão, da liberdade. Por vários anos Jonas conheceu o choro da opressão e de angústia também; mas aquele choro era de liberdade. A primeira vez em anos que sentia paz. Sentia em seu corpo que a cura que tanto pedira estava concretizada. Jonas encontrou que havia procurado por toda vida. Sabia que Jesus o tinha libertado e falado ao seu coração e a do Santo Espírito brilhou como o raio do sol em sua vida. A partir daquele dia Jonas nunca mais foi a mesma pessoa. Após alguns meses Jonas Madureira deixou de ser manchete de jornais e revistas seculares e passou ser notícia no jornal evangélico O Despertar da Fé e do Arauto Pentecostal que republicou seu testemunho por todo Brasil. Levando uma vida de acordo com a palavra de Deus, o apresentador e cantor Jonas Madureira teve oportunidade de trabalhar na Rádio Copacabana no Rio de Janeiro e gravar um compacto em apenas cinco meses de conversão ao Senhor Jesus; vendeu vinte mil cópias em três meses. Trajetória esta que foi plano de Deus para restaurar suas finanças. O lançamento do disco aconteceu no estádio do Maracanãzinho com a participação de mais de cinqüenta mil pessoas. Atualmente Jonas Madureira é apóstolo da Comunidade Evangélica Mundial, escritor do livro As 10 Armas de Guerra Espiritual, atua na área de ensino ministrando libertação e Cura interior.



